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Trocar de aba custa mais do que os segundos que leva.

O resíduo de atenção explica por que você termina o dia cansado e com a sensação de ter feito pouco.

5 min de leituraCom experimento

Você está escrevendo um relatório, dá uma olhada rápida no e-mail e volta. Levou vinte segundos. Mas a conta não fecha aí.

O resíduo de atenção

Em 2009, a pesquisadora Sophie Leroy mostrou que, quando alguém muda de uma tarefa para outra, parte da atenção fica presa na anterior, principalmente se ela ficou inacabada. Ela chamou isso de resíduo de atenção. Quem carregava mais resíduo teve desempenho pior na tarefa seguinte.

Décadas de estudos de laboratório sobre troca de tarefas apontam na mesma direção: cada mudança custa tempo e aumenta erros, porque o cérebro precisa reconfigurar as regras do que está fazendo. Para trabalho que exige raciocínio, não existe multitarefa de verdade. Existe alternância rápida, com pedágio a cada troca.

E interrupções têm um custo que não aparece no relógio. Num estudo da Universidade da Califórnia em Irvine, pessoas interrompidas compensavam trabalhando mais rápido. Terminavam no prazo, mas relatavam mais estresse, frustração e esforço.

Como reduzir o pedágio

Trabalhe em blocos. Defina um tempo para uma única tarefa, com notificações desligadas. Mensagens ficam para o intervalo.

Faça um plano de retomada. Antes de pausar, escreva em uma linha onde parou e qual é o próximo passo. Em 2018, Leroy e Glomb mostraram que esse hábito simples reduz o resíduo de atenção quando a troca é inevitável.

Agrupe o trabalho raso. E-mails, mensagens e pequenas pendências rendem mais juntos, num horário fixo, do que espalhados pelo dia.

Tire o celular do campo de visão. Alguns estudos sugerem que a simples presença do aparelho na mesa pesa na atenção, embora as replicações tenham resultados mistos. Ainda assim, é uma das mudanças mais baratas que existem.

Experimente um bloco agora:

Estudos citados

  1. Leroy, S. (2009). Why is it so hard to do my work? The challenge of attention residue when switching between work tasks. Organizational Behavior and Human Decision Processes, 109.
  2. Leroy, S. & Glomb, T. M. (2018). Tasks interrupted: How anticipating time pressure on resumption of an interrupted task causes attention residue. Organization Science, 29.
  3. Monsell, S. (2003). Task switching. Trends in Cognitive Sciences, 7.
  4. Mark, G., Gudith, D. & Klocke, U. (2008). The cost of interrupted work: More speed and stress. Proceedings of CHI 2008.